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quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Artigo: A influência da geração Y no mercado de trabalho

Nos ultimos meses fiz uso de inúmeros artigos relacionados ao tema (Geração Y) e achei por bem contribuir com o meu, e assim perdurar o auxílio mútuo virtual, chamado internet. =)



GESTÃO DE PESSOAS NO AMBIENTE EMPRESARIAL COM FOCO NA GERAÇÃO Y

RESUMO
Baseado na revisão bibliográfica, este artigo sugere uma reflexão sobre o atual modelo de gerenciamento das diferentes gerações de indivíduos e suas peculiaridades, em especial a geração Y,  através da descrição do perfil destas gerações e formatos de trabalho identificados como melhores práticas a fim de obter as melhores combinações desta mesclagem e alcançar melhores resultados.
O correto entendimento do perfil sócio-comportamental dos indivíduos de diferentes gerações permite não apenas obter melhores resultados, mas principamente adotar posturas mais adequadas de relacionamento em diferentes situações do relacionamento corporativo.
Palavras-Chave: Pessoas, geração Y, gestão, RH


ABSTRACT
Based on a bibliographic review, this article suggests a reflection about the current management model over a generational sorted group of individuals and its particularities, specially the Gen-Y, through a proper descritive information of these generation profiles so as the framework and best-practices qualified to improve these generation blends and obtain better business results
The proper understanding of the sociobehavioral of these individuals allows not only to obtain better results, but mainly to adopt proper positioning against diverse situations existing on the corporate relationship.
Keywords: People, Y generation, management, HR





1. Introdução


            A análise de comportamento e estudo de previsões baseados no período de nascimento do grupo ocorrem desde os escritos de Platão, que versam sobre as diferenças entre jovens e não jovens (Platão, 1994). Atualmente estas análises sobre conflitos geracionais ganham destaque em função de seu status pró-management. Ainda assim, em inúmeras empresas o modelo de liderança de gerenciamento dos profissionais da chamada geração Y (compreendendo indivíduos nascidos entre 1978 a 1995), têm se mostrado inadequado. Pretende-se com este artigo, evidenciar diferenças dos perfis das gerações na aplicação de técnicas de liderança e sugerir práticas para obter resultados desejados e que estejam alinhados aos objetivos da empresa.
            A diferença na forma de pensar e agir entre pessoas nascidas em épocas diferentes é real, perceptivel desde relações familiares até as relaçoes profissionais. Porém, nenhuma empresa deve excluir indivíduos de quaisquer geração e, mesmo que o fizesse, estaria limitando seu proprio desenvolvimento. Assim sendo, as organizacoes precisam trabalhar no sentido de equilibrar as diferenças e assim reter talentos em um mercado cada vez mais competitivo.
            Ao avaliar caracteristicas de comportamento específicas das diferentes gerações e ações voltadas à um melhor aproveitamento destas qualidades, as empresas poderão trabalhar a redução de conflitos de idéias, adaptar oportunidades de acordo com o perfil dos colaboradores e alcançar a melhoria do desempenho como resultado deste gerenciamento personalizado.

2.  Metodologia
            Fruto de uma revisão bibliográfica baseada em artigos científicos pertinentes ao tema, pretendeu-se listar diferentes aspectos das gerações mais evidentes em um ambiente empresarial; de modo que se destacasse as características da geração que poderá representar até 75% do quadro de funcionários de uma empresa -  a geração Y; segundo pesquisa realizada pela Business and Professional Women’s Foundation, 2011.
            A utilização do método é adequado uma vez que os artigos estudados como fonte de informação foram formalmente baseados em estudos científicos e retratam de forma precisa, a realidade dos ambientes corporativos e perfil socio-comportamental dos indivíduos categorizados nas diferentes gerações conforme descreve ERIKSON (1998).


3. Revisão Bibliográfica
            Conforme citado na introdução, a análise de comportamento e estudo de previsões baseados nestes grupos de pessoas nascidas em um mesmo período, ocorrem desde os escritos de Platão que versam sobre as diferenças entre jovens e não jovens (PLATÃO, 1994). Assim, antes de mais nada, faz-se necessária uma primeira clarificação acerca da palavra geração que de acordo com o Novo dicionário Aurélio da língua portuguesa (FERREIRA, 2009) define a palavra geração como:
3. Cada grau de filiação de pai para filho; posteridade, descendência. 4. Linhagem, estirpe, ascendência, genealogia. 5. O conjunto dos indivíduos nascidos pela mesma época. 6. O espaço de tempo (aproximadamente 25 anos) que vai de uma geração (3) a outra (p.978).
            Ainda acerca do estudo das gerações, estas são produtos de eventos históricos que influenciaram profundamente os valores e a visão do mundo de seus membros. Um fenômeno social corresponde, em partes, a isso, ou seja, refere-se aos comportamentos, ações e situações observadas em determinadas sociedades, organizações e grupos em um momento ou período histórico específico. Nesta perspectiva, as abordagens são diversas e o indivíduo, em sua singularidade, é estudado pela Psicologia , enquanto a Sociologia tem uma base teórico-metodológica orientada para estudar os fenômenos coletivos sociais, tentando explicá-los, analisando os homens em suas relações de interdependência (SILVA & PINTO, 2001).
            Tão logo, a partir do compartilhamento do mesmo espaço de tempo de pessoas nascidas em uma mesma época, a convivência com diferentes gerações é sine qua non e faz parte do cotidiano de todos, seja no contexto escolar, familiar, profissional ou social. Há, sim, diferenças e paridades entre tais gerações como: visão de mundo, de autoridade, limites de comportamentos e valores entre outros que afetam os indivíduos diretamente e indiretamente. Assim, para compreender como uma geração difere da outra, é preciso que se perceba como cada uma delas forma um conjunto de crenças, valores e prioridades, ou seja, paradigmas, consequências diretas da época em que cresceram e se desenvolveram e entendê-las de um ponto de vista sociocognitivo-cultural.
            A parte às interferências externas (ou particulares), STEINER (1995) disserta sobre a teoria dos setênios, a qual defende a idéia de que um indivíduo enfrenta a cada 7 anos, novas e importantes contingências (desafios) tomando forma do que conhecemos por crescimento contínuo e natural, sedundo ele: "os setênios vêm marcados por períodos de mudanças físicas e emocionais que tendem a desencadear sensações do tipo o que fazer da vida?" (p.19)
            Por este mesmo motivo a tarefa de traçar o perfil de diferentes gerações é bastante delicada, pois inevitavelmente pode promover generalizações indevidas, extraindo o indivíduo de sua formação histórica e cultural em uma concordância com BAUMAN (2009). Contudo, devemos considerar que os modos culturais marcados pela geração podem exercer influências significativas no modus vivendi de indivíduos lá contidos, como um zeitgeist [1] circunscrito parcialmente na cultura mais holística.

3.1. Classificando gerações
            No decorrer das décadas, além de profissionais da Sociologia como COMTE (1972) e MILL (2000), precursores do estudo das gerações através de infindáveis tentativas de compreender a sociedade e os padrões das ações humanas, GASSET (2003), HOWE & STRAUSS (2000), o já citado STEINER (1995), entre tantos outros, também se empenharam em compreender o desenvolvimento humano e tentaram traçar um mapeamento cultural das gerações, através da divisão da população por parcelas de idades, o que ganhou denominação informal de um fenômeno social retratado especialmente em revistas de management como "Teoria de Geração de Executivos".
            Antes mesmo de iniciarmos a definição das gerações é válido afirmar, através da própria análise comportamental, que a divisão de período de anos das gerações pode apresentar uma variação significativa de aproximadamente 4 anos (para mais ou para menos) dependendo do grupo social analisado ou da cultura familiar aplicada à educação do indivíduo, e conforme já mencionado anteriormente, a categorização não define plenamente o comportamento de um indivíduo nascido dentro do período, e sim, um conjunto de características que estes possivelmente podem apresentar, segundo os estudos realizados para a categorização.
            Por questões de escopo não relacionaremos no decorrer deste artigo, informações pertinentes ao grupo dos Veteranos, que define indivíduos nascidos antes do ano de 1946 (ROBBINS, 2004), e portanto consideraremos todas as seguintes gerações que ainda podem ser encontradas no ambiente empresarial da maioria das empresas.

BABY-BOOMER
            Esta segunda geração é representada por pessoas nascidas entre os anos de 1946 a 1964, que de acordo com (OLIVEIRA, 2009) se deu por conta da alta taxa de natalidade que sucedeu-se ao final da segunda guerra mundial. Dado o ambiente militar em que muitos desta geração vivenciaram, carregam consigo o respeito à autoridade e a disciplina, em contrapartida, presenciaram a origem do movimento hippie e alguns outros movimentos de revolução através da arte, que deixava claro sua insatisfação com a realidade em que viviam, mesclando portanto a busca pela realização e sucesso pessoal sendo contudo leais às suas carreiras.

Geração X
            Para LAFUENTE(2009), a geração que antecede nosso foco de trabalho, é formada pela população nascida entre 1965 a 1980, que permitiu contato com o movimento da globalização e disseminação da televisão e meios de comunicação. Este contato com um meio de comunicação com apelo altamente visual potencializou, segundo OLIVEIRA (2009), a oferta de grandes marcas e elevou todos os índices de consumo, fazendo com que a população valorizasse ainda mais o dinheiro, que indiretamente, era visto como indicador do desempenho profissional, apesar do alto interesse material, esta geração visou diminuir o grau de ênfase na disciplina e autoridade aplicados pelos seus pais que eram da geração anterior, o que atribuiu à geração, paralelamente, maior valor à família, fazendo com que os membros desta geração se esforcem menos em prol de seus empregadores para poder equilibrar sua vida familiar, algo que para ROBBINS (2004) vem a influenciar uma das mais nítidas características da geração seguinte e portanto, ilustra a influência de uma geração sobre a outra.

Geração Y
            População com ano de nascimento a partir de 1978, conforme afirma TULGAN(2009), frente à uma variedade de sugestões de início desta geração (todos iniciando após a data avaliada por ele.
Uma vez que a globalização iniciou-se em épocas da geração anterior e tal qual a televisão veio à tona, para a geração Y, estes e outros fatores evoluíram rapidamente através do estabelecimento pleno da globalização e do rápido avanço da tecnologia, fomentando volumosas ondas de informação fazendo com que a lingua nativa desta geração fosse definida como comunicação da mídia digital, segundo LIPKIN & PERRYMOE (2009).
            Desde cedo, estas pessoas são acostumadas ao descarte do desatualizado, da velocidade e tecnologia da informação, ao novo, tornando-os destinatários da inovação, e portanto fonte de inspiração para criatividade e personalização, onde o marketing se desdobra para identificar novas características e vontades, sonhos e idéias, e torná-los palpáveis a fim de atender este público tão exigente pois, se não bastassem os requisitos de produto, sofrem também com a escassez do tempo para lançar um novo produto no mercado, outrora, perderiam espaço à um concorrente mais veloz.
            Esta velocidade de informação, nutrida pelo rápido processamento e disseminação de informações dos computadores ultra-modernos interfere também no comportamento da geração definindo-a por muitos pesquisadores como “imediatista”, desejando que seus desejos sejam realizados num click.
            Outro aspecto nítido nesta parcela da população seria o fato de não se envolverem ou conhecerem mais profundamente alguns temas sociais, políticos, econômicos, ou assuntos de qualquer natureza. Este comportamento é acarretado pelo fato de qualquer tipo de informação específica, em pequenas parcelas, poderem ser encontradas rapidamente em uma pesquisa na internet, sem a necessidade de folhear livros, enciclopédias ou dicionários para obter a mesma resposta.
            Pelo fato de conseguirem encontrar informações rapidamente, junto do perfil imediatista apresentado, os indivíduos desta geração tendem a buscar ou exigir promoção no trabalho em períodos considerados curtíssimos, isto dado a falsa ilusão de que sabem muito sobre várias coisas, conforme analisou BENETT (2009).
            Vista como multi-tarefa esta geração inicia um alto volume de atividades desde muito cedo, quando seus pais o matriculam / incentivam a participar de uma série de atividades ao longo do dia e semana, como esportes, idiomas, reforços escolares, artes, música etc, fazendo com que cresçam realizando atividades em grande volume e diversidade, algumas vezes em um mesmo momento, quando por exemplo ouvem música, assistem televisão e realizam seu dever de casa. Desta forma apresentam dificuldades em realizar tarefas mais repetitivas e algumas vezes em manter o foco em atividades que exijam maior exclusividade de atenção, fazendo com que busquem sempre atividades com certo grau de desafios e tarefas diferenciadas.
No tocante à influencia da economia, como não presenciaram nenhuma grande crise (exceto 2008 dos EUA), tendem a serem mais positivos, propensos a arriscar e inovar o que contudo seria simples, não fosse a alta concorrência de profissionais com o mesmo perfil alocados em grande volume nas empresas, assim como ROCHA (2009) afirma em seu texto:
            Desenvolver a carreira num contexto de alta disputa por profissionais, associado a uma série de mudanças socioculturais (como fato destes jovens terem crescido conectados a internet, por exemplo) resultou numa geração para qual as antigas regras de convivência corporativa já não faziam sentido. Fidelidade a empresa? De jeito nenhum, infiéis, impacientes e até um tanto insubordinados, eles agora enfrentam a primeira fase de reais desafios em sua carreira.
          Para melhor identificarmos algumas características, podemos observar a tabela abaixo de FORQUIN (2003), que traça um paralelo entre as gerações e alguns comportamentos pertinentes às empresas:

Tabela 1 - Comportamento x Geração FORQUIN(2003)




3.2.  O mercado de trabalho da geração Y
            Expressiva e colaborativa esta geração não se intimida em afirmar suas convicções e seguir rumo suas vontades e ao participar de pesquisas de mercado ilustram a previsão da consultoria Deloitte (2009) onde avalia que cerca de 47 % dos profissionais desta geração deixarão a empresa nos próximos 2 anos, dado algo grau de questionamento e priorização de suas vontades contra às decisões da empresa.
Quanto ao seu futuro, segundo AGUIRRE (2009), em 2025 73% da força de trabalho do Brasil será formada pela Geração Y e o mesmo ocorrerá por todo o mundo, sendo previsto 69% nos EUA, 61% para Japão, 65% na China, e 75% na India, evidenciando o quanto será estratégico conhecer os elementos de retenção dos talentos desta geração.
            Persistindo no contexto de priorizações, estes jovens citam como anti-modelo as situações onde os pais se excederam na dedicação às empresas e acabaram por serem mandados embora em tempos de crise e disperdiçaram tempo que poderiam ter de convívio familiar, reforçando portanto o fato de que sua vida profissional é um dos assuntos a serem gerenciados no dia-dia e não o principal. Sendo assim, buscam empresas que valorizem o equilibrio entre seus funcionários, comunidade e ambiente. (SMITH, 2009).
Ainda relacionado à empresa ideal para se trabalhar os jovens associam o glamour da empresa a qual pleiteiam uma oportunidade, fazendo com que as empresas sejam cautelosas em manter a realidade fiel à propaganda e evitar a disseminação de avaliações negativas por parte dos jovens que, através dos meios de comunicação em tempo real, poderiam prejudicar a reputação da empresa para o mercado. Por este mesmo motivo, a seleção de candidatos hoje foi adaptada para balancear a posição com o perfil do candidato, fornecendo treinamentos adicionais se necessário, uma vez que a postura do candidato é que deve ser adequada à posição.
            Esta geração também remoldou o formato de trabalho da empresa onde as gerações antigas se fechavam em salas e pouco se falavam durante o expediente, hoje, as ferramentas de comunicação instantânea e fóruns de discussão tornam o ambiente de trabalho altamente colaborativo e com um alto grau de cooperação, onde jovens de qualquer localidade se reunem e trabalham simultaneamente, sem nenhuma interferência.
            (OLIVEIRA, 2009) destaca e conforme já dito anteriormente, que esta geração é movida a desafios, comportamento herdado da infância motivada às fases de um jogo de video-game, em encerrar ou vencer o enredo e quebra-cabeças proposto, tendo a cada momento um nível de dificuldade avançado e a resposta do empenho retornada pelos placares. Estando prontos para batalhar em ambiciosas metas auxiliando a companhia a evoluir e alcançar novas “fases”, contudo obtendo a devida remuneração como recompensa e onde 61,6% dos entrevistados afirmaram optar em aumento de salário/bônus como aponta pesquisa da DELOITTE (2009).
            A fim de equilibrar este ambiente desafiador, dinâmico e colaborativo, a empresa deve priorizar a liberdade de criação e inovação juntamente com a flexibilidade, demonstrando assim a importância do equilíbrio profissional e pessoal do indivíduo, onde as empresas que melhor realizam este conjunto no ambiente possuem destaque e interesse internacional dos jovens, como é o caso da Google Inc, Pixar studios, entre outras.
            Outra característica a ser adicionada nos moldes de gerenciamento desta geração segundo TULGAN (2009) é a proximidade com pessoas mais experientes, geralmente de mais idade, que possam instruir e orientar de forma livre, as melhores rotas para o sucesso pessoal e profissional, tendo-os portanto como mentores, buscando a figura dos pais no direcionamento profissional especializado dentro da empresa.
Não há dúvidas que para reter um profissional com estas características a empresa deva balancear adequadamente todas estes pontos de atenção apresentados, aplicação de mentores, retribuição financeira adequada, expectativa de desenvolvimento sendo seguida, contudo este conjunto de ações, juntamente com o fato de que outras gerações de perfis ligeiramente distintos, faz com que esta seja uma das gerações mais complexas a ser gerenciada e corrobora com a afirmação de TULGAN(2009) que cita:
Dentre todas as gerações, a Geração Y será a mais difícil de recrutar, reter, motivar e gerir. Mas essa também será a geração com mais alta performance na história da força de trabalho para aqueles que souberem como geri-los corretamente.
Quanto a necessidade da prática constante do feedback (resposta / avaliação) como ferramenta de autodesenvolvimento, Oliveira (2009) contextualiza informando que desde muito cedo, pais e professores educaram crianças baseando-se em recompensas e punições para seu comportamento, o que gerou no futuro, a necessidade de resposta contínua e busca por recompensas vinda das empresas.
Atendendo mais um dos objetivos do artigo, consta abaixo os oito fatores de autodesenvolvimento mais considerados pela geração ao buscar oportunidades de trabalho, segundo TULGAN (2009):
Tabela 2 - Fatores de autodesenvolvimento da Gen-Y (TULGAN, 2009)
1. Compensação financeira baseada em performance
2. Flexibilidade de Agenda
3. Flexibilidade de Local
4. Habilidades vendáveis (reciclagem de conhecimento)
5. Relacionamento com tomadores de decisões
6. Crédito pessoal pelos resultados alcançados
7. Clareza de responsabilidades atribuidas
8. Chance para expressar criatividade.

            O autor afirma ainda, sob análise mais refinada que o desejo de autonomia está relacionado ao desejo de poder: “Para a Geração Y, o poder está relacionado ao controle dos recursos, ao exercício de status, à autoridade para tomar decisões e à autonomia para agir”.

3.3.      Presença das Gerações nas empresas
            Pela primeira vez as empresas têm em seu quadro funcional indivíduos de quatro diferentes gerações. Contudo, este artigo focalizou a atenção sobre aquela que avança para se tornar a mais numerosa em uma empresa, como podemos observar no gráfico gentilmente fornecido por uma empresa de tecnologia com cerca de 420.000 funcionários e presente em mais de 174 países:
O Líder Y
            Atualmente já podemos visualizar nas empresas gerentes e líderes da geração Y, os quais vem sendo fontes de estudos recentes, para melhor adequação, tal qual realizou-se com a análise dos subordinados. Para MARCON(2010) os representantes da geração Y são mais interdependentes e tendem a trabalhar melhor em equipe do que seus antecessores. Por causa disso, têm uma demanda maior por avaliações de desempenho e uma relação mais informal com os superiores, ainda que respeitem uma liderança que considerem inspiradora e legítima.
            Quanto ao estilo de liderança, para ENTRELAÇOS (2012) antigamente o profissional era promovido para chefe porque era quem tinha mais conhecimento técnico na equipe. Hoje, é promovido a líder quem tem mais habilidades de inspirar, formar e manter equipes em alto desempenho, agregando valor econômico à organização e o fortalecimento das relações humanas.

            Ainda, o profissional da Geração Y não acredita que  tem menos capacidades do que o chefe.  Daí a importância do líder adotar o estilo de liderança que incentive e apóie o profissional na conquista da autonomia e da autogestão. É importante, portante que o líder crie um ambiente de trabalho onde eles possam aplicar seu talento e capacidades, valorizando sua energia e paixão; ao delegar responsabilidades o líder deve considerar também o nível de experiência do liderado, mas mantendo uma política de desafio constante, aliados ao aprendizado e amadurecimento contínuos.
            Para liderar líderes da Geração Y o líder-coach têm se mostrado o mais indicado, porque valoriza a capacidade do liderado de inovar, de participar, de propor soluções, aprendendo a pensar com foco nas possibilidades. O líder-coach é uma técnica e pode ser aprendida. Para que seja eficaz, no entanto, é fundamental que os líderes:
·         Acreditem que seus liderados têm, ou que podem adquirir, os recursos internos que precisam para desenvolverem a autonomia que desejam;

·         Dêem o exemplo para conquistar a confiança e respeito do liderado;

·         Tenham interesse genuíno pelas pessoas que lideram e pelo seu crescimento.
            Para ser um líder-coach de fato é preciso saber identificar no dia a dia desafios que despertem o interesse do liderado e sua energia e paixão; busque formar equipes multifuncionais pois isso cria um ambiente de aprendizagem continua. Tratar esses desafios e responsabilidades no modelo projeto (começo, meio e fim)facilita avaliar resultados obtidos e driblar a rotina. Este líder-coach, usando as técnicas de coaching, deve estimular seus liderados a pensar em possibilidades e agir com responsabilidade:  cobrando resultados (eficácia) e eficiência nos métodos de trabalho, mantendo o foco e dando feedbacks regularmente.
            Líderes da geração Y bem sucedidos, criam ambiente de aprendizagem onde seus liderados desenvolverão também uma maturidade emocional para lidar com um mundo mais complexo no futuro e a liderar a próxima geração.


4.             Considerações Finais e sugestões para futuras pesquisas
            Ainda que um mapeamento comportamental preciso seja realizado, uma análise psicológica de um grupo é demasiada complexa pois tenta generalizar comportamentos de inúmeras combinações socio-culturais e independentes. Desta forma, além das pesquisas sobre a liderança realizada pela geração Y, o preciso gerenciamento e evolução da geração deverá contemplar acompanhamento constante e análise de mudanças, através de um período reduzido de tempo, considerando o dinamismo presente na geração. A identificação e adoção de um questionário bem elaborado com auxílio de sociólogos, psicólogos e executivos poderia facilitar o levantamento e controle destas informações.

Agradecimentos
À minha esposa Aline Cristina Cia Angelini, que como não poderia ser diferente, me apoia, auxilia e acompanha em cada atribuição da minha vida.

Referências
AGUIRRE, DeAnne. Um novo modelo para reter talentos da Geração Y. Valor Economico, São Paulo. n 2323. 17 ago 2009.
BAUMAN, Z. (2009). Modernidad líquida (1ª ed.). Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica.
BENETT, Geração Y: Galileu, São Paulo, n. 219, pp 50-53, outubro 2009.
COMTE, A. (1972). Opúsculos de filosofia social. São Paulo: EDUSP.
DELOITTE, Generation Y. Powerhouse of the global economy. 2009. Disponivel em <www.deloitte.com/us/geny>  Acesso em 08 Setembro 2013
ENTRELAÇOS. Expansão do Ser. Liderando líderes da geração Y. 2012. Disponivel em <www.entrelacos.com.br/portal/blog/2011/07/15/liderando-lideres-da-geracao-y/>  Acesso em 08 Setembro 2013
ERIKSON, E. H. (1998). O ciclo de vida completo. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.
FERREIRA, Aurelio Buarque de Holanda. Editora: Positivo Edição: 4. Ano: 2009
FORQUIN, J. C. Relações entre gerações e processos educativos: transmissões e transformações. Congresso Internacional Co-Educação de Gerações, São Paulo, SESC, outubro de 2003. Disponível em: <www.sescsp.org.br/sesc/conferencias/subindex.cfm?Referencia=2833&ID=83&ParamEnd=6&autor=2835>. Acesso em:  08 de outubro de 2011.
GASSET, J. O. (2003). A rebelião das massas. E-book digital [domínio público]. Recuperado em 12 de Maio de 2010, de http://www.cisc.org.br/portal/biblioteca/rebeliaodasmassas.pdf
HOWE, N., & STRAUSS, W. (2000). Millenials rising. New York: Vintage Books
LAFUENTE, Florência. Do conflito à ação. HSM Management, São Paulo, v. 3, n. 74, p 70-76, Maio 2009.
LIPKIN, Nicole; PERRYMOE, April. Y in the workplace. Managing the “me first” generation. New York. Career Press, 2009.
MARCON, Caroline. O poder nas mãos da geração Y. Hay Group. 2010
MILL, J. S. (2000). A liberdade. São Paulo: Martins Fontes.
OLIVEIRA, Sidnei. Geração Y: era das conexões – Tempo de relacionamentos. São Paulo. Clube dos Autores, 2009
PLATÃO, F. Lisboa: Guimarães Editores 1994
ROBBINS, Stephen P. Fundamentos do comportamento organizacional. 7 ed. São Paulo, Prentice Hall, 2004.
SILVA, A., & PINTO, J. (2001). Uma visão global sobre as ciências sociais. In A. Silva, & J. Pinto (2001), Metodologia das ciências sociais (11ª. Ed.; p. 17-18). Porto Alegre: Edições afrontamento.
SMITH, W. Stanon. Decifrando os códigos. HSM Management. São Paulo, v 3, n 74, pp78-84, maio 2009.
STEINER, R. (1995). A arte da educação (2a. ed.). São Paulo: Antroposófica.
TULGAN, Bruce. Not everyone gets  a trophy: How to manage generation Y. San Francisco: Jossey-Bass, 2009

  


[1] zetgeist Termo alemão que traduz o espírito de uma época, movimentos intelectuais e culturais que traduzem comportamentos e ideais compartilhados. Para mais informações ler "Fenomenologia do Espírito", de Hegel.

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